Bons acordes fazem boas músicas

O que me atrai numa música, o que faz eu achar ela boa ou ruim, são os acordes. Não somente, porém é o principal elemento. Demorei a perceber isso. E é em cima desses acordes que as melodias vão se encaixar, juntamente com o ritmo. O ritmo pouco importa, 60, 100, 110, 120, 125, 130, 175 bpm (batidas por minuto), não faz diferença o rótulo que vai receber. O que importa é o groove. Claro que em música não existem muitas regras, nem mesmo para compôr, tanto faz começar pela melodia, pela bateria, pelo vocal, pelo baixo, pelos acordes, por um sample. Cada um cria seus próprios métodos. Mas pra mim a harmonia conta muito, uma progressão de acordes sem sal pode estragar toda sonoridade de uma ótima track, numa música que tenha todos outros elementos “ok”.

Bons acordes?

O que são bons acordes? Lógico que isso é muito pessoal. Mas os acordes passam sentimentos, por exemplo, acordes menores podem passar uma sensação de tristeza, melancolia, enquanto que os acordes maiores alegria, euforia. Contudo, isso ainda é muito vago e relativo, pois geralmente dependem do contexto musical, da própria personalidade do ouvinte, e uma série de fatores.

Vale ressaltar: Não sou um especialista em teoria musical, nem um pouco, nunca estudei formalmente, mesmo tendo teclado desde 1994 – um CCE meio brinquedo, só em 1999 comprei um Yamaha PSR-alguma-coisa. Até os 6 ou 7 anos também tinha um piano legítimo na casa da minha vó, foi da minha mãe, mas não tive tempo de aprender muita coisa, a não ser martelar nas notas graves e achar graça.

Sei criar progressões simples de acordes,  alguns sei de cabeça. É fácil com o teclado controlador ao lado, ver exemplos e dedilhar umas coisas, gravar e editar o que saiu errado. Ou ainda desenhar notas e acordes com o mouse no teclado virtual do software sequenciador. Acima disso, eu leio e muito sobre música, além de escutar e pesquisar bastante. E produzo minha própria música, claro.

Soulful Chords em jazzsouldiscohousehop

Acordes soulful, melancólicos, eu gosto disso, no jazz, soul, funk legítimo, tem aos montes. Na house music também (a clássica, aquela que evoluiu da disco, que por sua vez também tem harmonias com essas características.) Numa variedade enorme de estilos musicais são encontrados acordes legais. E no hip hop também. No  bom hip hop, do beatmaker que sampleia as “coisas certas”, que tem bom gosto, do produtor/músico que sabe criar seus grooves do zero sem samplear. E pra eu gostar de hip hop, é importante que a base dele seja boa, que tenha bons acordes,  beats funky. A letra e a mensagem não é nem de longe o mais importante pra mim, tá lá só como complemento, na maioria das vezes percussivo. Se falar de coisas bacanas, boa. Se for instrumental, melhor.

Não abraço nenhum tipo de movimento ou cena, nem quero,  isso é limitante. Mas não sou “eclético”, isso é normalmente uma auto-atribuição de quem conhece pouco ou nada sobre música, que não tem um gosto musical definido. Tipo, “sou eclético, escuto de tudo” – fico sempre com receio de perguntar o que seria esse “tudo”, normalmente não me agrada, enfim. Gosto de música independente do bpm, como posto lá em cima.

Acordes pop estão no seu subconsciente

Na música pop padrão, ou melhor, na música comercial, essas que são comumente tocadas em violão, que estão na tal mídia (qual mídia?), que são pretensiosas no sentido de vender discos (isso é passado), tocar na rádio (escuto meia dúzia de vezes por ano) , aparecer na televisão, serem cantaroladas pelo povo, é comum uma progressão de acordes padrão que se repete, uma fórmula desgastada e cansativa que vem sendo seguida ao longo de mais de 30 anos. Aí você escuta a música, e tem aquela sensação de déjàvu, sensação que já escutou aquilo antes e muitas vezes. E você invariavelmente estará certo:

4 acordes e toneladas de músicas produtos

The Axis of Awesome 4 Chords

4 acordes e 44 músicas no violão (guitarra)

4 acordes, 65 músicas

Impressionante a criatividade, né? Não sei você, mas eu me sinto o maior babaca quando escuto alguma música assim. Qual o sentimento que essa progressão de acordes transmite? Sentimento de consumo? Imagino a banda, músicos, produtores, trancados em estúdio procurando e usando fórmulas para conseguir vender o produto para a maior quantidade de otários possíveis. Ok, estou generalizando, e algumas poucas músicas desses vídeos não são tão ruins assim. Talvez uma ou duas.

Conclusão

A escolha dos acordes certos é fundamental para determinar uma boa música. Perceba que o significado de música boa para a falida indústria fonográfica é uma canção com essa progressão manjada de quatro acordes, que podemos chamar de produto.  Às vezes a música é até bacana, começa legal, diferente do resto, mas cai no refrão, é aquela mesmice demonstrada aí nos vídeos. Uma música para ser atraente não necessita nem mesmo de 4 acordes, com apenas 2 ou 3 acordes é possível criar ótimas faixas. E não é a complexidade que faz uma música ser boa, muito pelo contrário. Existe uma frase: “Não afina demais senão o povo não consegue acompanhar” – Será mesmo?

Vou desenvolver e complementar esse assunto em futuros posts, esse já se estendeu demais!

 

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  • http://www.felippesenne.com Felippe Senne

    Excelente artigo!!!!

    • http://www.jarriermodrow.com Jarrier Modrow

      Obrigado!

  • Pingback: Felippe Senne » Blog Archive » Bons acordes fazem boas músicas

  • cacaborges

    Muito bom! Foi de grande ajuda pra mim :)

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      Legal!

  • http://www.myspace.com/joeblackforever joeblack

    Sensacional, Modrow!

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      Valeu, hermano!

  • http://www.shyumi.blogspot.com Vinicius Sodré

    Mto bom!!
    ri bastante! na minha banda a gente brincava mto com isso! :P

  • Thiago watanabe

    Ótimo Artigo! Sabe que todos nós já tivemos esse Looping de Dejavu e nunca nos damos conta que estão nos fazendo de otários! Valeu!

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      Haha, é isso aí, obrigado pelo comentário!

  • http://www.deehouse.com james

    alucinante teu site…quem divide multiplica!

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      Valeu cara, é justamente essa a idéia! Abraço.

  • Pingback: A harmonia não tem dono, o dono tá na melodia

  • Victor Amaral

    Muito bom … Parabens!

  • Pingback: 10 músicas e vídeos de Jazz para escutar

  • Pingback: Com dois acordes se faz música pop de qualidade

  • Ricardo

    Encontrei este site em busca de artigos sobre produção musical e tenho a dizer que gostei muito do que encontrei.
    Alem do excelente cariz informativo, partilha-mos a mesma visão em relação à música.
    Parabens

  • filipe bruck basso

    mesmo usando a mesma harmonia as músicas continuam sendo muito boas, não vejo isso como uma coisa ruim
    para ser popular tem que ser uma coisa simples e agradavel pois escalas exóticas não fazem tanto sucesso assim

    • http://jarriermodrow.com Jarrier Modrow

      “As músicas continuam sendo muito boas” Isso é o seu gosto, a sua opinião.

      Não é o caso de usar “escalas exóticas” para uma música ser boa, nem tornar a composição complicada. Acontece que essa progressão de acordes batida é insuportável, e geralmente os músicos que a utilizam é sempre com a intenção de fazer o público de trouxa, sempre a mesma formulinha que os ouvidos já estão acostumados, assim compram mais discos, pedem mais nas rádios, e por aí em diante.

  • Fernandozo

    Muitas músicas boas aí. Discordo frontalmente do seu ponto de vista. Às vezes menos é mais, e não querer que os artistas façam músicas com esses acordes fundamentais é como não querer que um pintor use o preto ou o amarelos. Os acordes são limitados, ou melhor, a combinação deles para agradar nosso ouvido ocidental são limitadas. Mas isso não diminui essas músicas pois fazer algo novo com acordes novos é fácil. Transformar aqueles mesmos acordes de sempre em músicas novas sim que é complicado. Aí temos U2, Beatles e outras grandes bandas..

    • http://jarriermodrow.com Jarrier Modrow

      Pois é, mas eu não gosto de U2 nem Beatles, não acho “grandes bandas”, não gosto de rock, prefiro o espectro todo da black music (jazz, funk, soul) e da música eletrônica (de house a experimental). E não gosto dessa famosa progressão de acordes, que é sempre feita com a intenção de fazer o ouvinte médio de otário, com a fórmula gasta de sempre.

 
 
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