Hoje é o Dia Mundial do Skate, também conhecido como 21 de junho. Eu andei muitos anos de skate, comecei em 1986, quando então com 6 anos de idade, e parei por motivo de força maior em 1995. Fechava um ciclo de cada braço fraturado duas vezes, alguns dedos destroncados, umas batidas de cabeça, uns shapes e trucks em velocidade de 200 kilômetros por hora na canela, e por aí em diante.
Mas calma lá, eu não era ruim, eu era bom sim, praticamente cresci dentro de um skatepark, treinava diariamente, era daqueles que pensava que ia ficar velho dando ollie, kickflip. Enquanto grande parte dos meus amigos queriam jogar futebol, eu passava os dias em cima do skate. Com 13 anos eu tinha o cabelo no meio das costas e já tinha uma tatuagem, ainda explodia a caixa de correspondência dos vizinhos com bombinhas, eu era quase um perigo pra sociedade (isso é só uma espécie de alegoria literária, releve).
Continuando, skatista tem que estar preparado pra se quebrar mesmo, é a tendência natural do esporte. Contudo, quanto mais você pratica, mais você fica confiante no carrinho de 4 rodas, passa a se jogar mais nas rampas, nos trilhos, nas manobras, nos obstáculos, sem pensar muito na queda. Mas ao contrário do raciocínio que se formou até aqui, é justamente nos tombos mais bestas que você se quebra, comigo foi assim. Eu parei em 95 porque quebrei meu braço direito pela 2ª vez. Fratura exposta, que de momento me rendeu um novo cotovelo – sentiu aí a dor? Eu na hora não senti, só me pareceu que eu estava numa cena do filme Matrix, onde tudo ao redor ficou em slow motion. Eu já estava indo embora do skatepark, de tardezinha, e pegando um embalo no halfpipe. Num momento extremamente infeliz, a roda do skate trancou num micro buraco no compensado, e eu caí pra trás, me apoiando no membro com o qual assino meu nome, fazendo com que as duas canaletas ósseas rompessem simultâneamente.
Resultou em duas placas de platina, mais de 10 parafusos e duas cicatrizes, que ostento internamente como um troféu nesse braço biônico até hoje. Foi feio. Mesmo assim continuei andando esporadicamente com a galerinha do mal, mas aí já não era a mesma coisa, o medo de quebrar esse mesmo braço novamente era latente, e não tinha mais graça não poder tentar evoluir mais nos tricks em cima do shape. Encerrei uma fase de dores de cabeça pros meus pais. Cabô o skate or die, e chegou os anos 2000.
Mas minha frustração maior nem é ter tido que me aposentar do skt. Meu braço é perfeito, veja como eu digito rápido. Só tenho duas leves marcas dos cortes da operação e pontos. A frustração maior é não ter uma foto ou vídeo andando de skate para posteridade, nem mesmo com a prancha de rodinhas embaixo do braço. Só permaneceu as histórias de um tempo que ficou lá nos anos 80 e 90, e hoje resta a saudade de ter um braço engessado em pleno verão. Vida Loka.


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